terça-feira, 22 de julho de 2014

O comportamento social e as doenças hepáticas

Os estudos sobre mortalidade constantemente enfatizam a importância das causas relacionadas às doenças do aparelho circulatório, às neoplasias malignas e às causas externas no conjunto das mortes masculinas. Entretanto, muito pouco tem-se detido na análise das doenças do fígado, que também formam um importante agrupamento de causas de morte, do qual fazem parte aquelas relacionas ao álcool, à cirrose e à fibrose hepáticas.
Detendo-se no grupo etário entre 35 e 39 anos, que onde se encontram os chefes e arrimos de família, a ordem de importância é bem diferente. As doenças de fígado e as agressões (homicídios), para homens, ganham destaque.
Como sabemos, a doença alcoólica do fígado é decorrente do consumo excessivo de álcool, sendo este um problema de saúde comum e de possível prevenção. Geralmente, o volume de álcool consumido determina o risco e o grau da lesão hepática, havendo estudos que mostram que as mulheres são mais vulneráveis à lesão hepática que os homens. As mulheres que consomem bebidas alcoólicas durante anos, o equivalente a 20 ml de álcool puro por dia (200 ml de vinho, 360 ml de cerveja ou 60 ml de uísque) podem desenvolver lesão hepática, enquanto os homens precisam consumir o equivalente a 60 ml por dia pra adquirirem o mesmo mal.
Ao fornecer calorias sem nutrientes essenciais, o álcool diminui o apetite e causa má absorção de nutrientes devido aos seus efeitos tóxicos sobre o intestino e o pâncreas. Consequentemente, indivíduos que consomem bebidas alcoólicas diariamente sem se alimentar de forma adequada tornam-se desnutridos.
Como já foi discutido e exposto no blog, a cirrose é uma doença crônica e irreversível do fígado, em que as células normais sofrem lesão e são transformadas em cicatrizes. A causa mais frequente desta patologia é o alcoolismo, seguidos pelas hepatites B e C. Existem também algumas doenças congênitas, mais raras, que podem desencadear uma cirrose.
Existem, ainda, fortes evidências de que a cirrose hepática é uma doença pré-maligna, pois cerca de 50% dos pacientes com câncer de fígado são portadores desse mal. A prevenção é possível evitando-se o consumo excessivo de álcool e por meio da vacina contra a hepatite B. No caso da hepatite C, ainda não há vacina e única forma de prevenção é evitar comportamentos de risco que possibilitem o contágio através de sangue contaminado.
Um estudo realizado avaliando-se dados sobre as principais causas de morte da população por sexo no estado de São Paulo, chegou à conclusão de que as mortes devidas às doenças do fígado têm várias origens, no entanto, como se registrou no estado de São Paulo, uma grande parte delas provém do consumo excessivo do álcool que está associado ao comportamento diferencial por gênero.
Os hábitos sociais têm levado a uma redução do tempo de repouso da mulher, que após uma exaustiva jornada de trabalho ainda têm que realizar atividades no lar como cozinhar, lavar roupa, cuidar das crianças, principalmente nas classes sociais mais baixas, enquanto que o homem, esperando o jantar, vai para o bar beber e conversar com os amigos.

Mais detalhes a respeito do estudo citado podem ser encontrados em: http://www.ces.fe.uc.pt/lab2004/pdfs/RuteGodinho.pdf

8 comentários:

  1. O metabolismo do álcool nas mulheres não é igual ao dos homens. Se administrarmos para dois indivíduos de sexos opostos a mesma dose ajustada de acordo com o peso corpóreo, a mulher apresentará níveis alcoólicos mais elevados no sangue.
    A fragilidade aos efeitos embriagadores do álcool no sexo feminino é explicada pela maior proporção de tecido gorduroso no corpo das mulheres, por variações na absorção de álcool no decorrer do ciclo menstrual e por diferenças entre os dois sexos na concentração gástrica de desidrogenase alcoólica (enzima crucial para o metabolismo do álcool).
    Por essas razões, as mulheres ficam embriagadas com doses mais baixas e progridem mais rapidamente para o alcoolismo crônico e suas complicações médicas.

    Fonte:http://drauziovarella.com.br/dependencia-quimica/alcoolismo/alcoolismo-em-mulheres/

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  2. De acordo com as informações apresentadas o consumo mínimo diário e o tempo necessário para desenvolver sintomas é possível o sujeito beber demasiadamente apenas nos fins de semana e ainda assim não apresentar jamais nenhum traço de cirrose. Ou os dados apresentados referem-se a um consumo médio semanal? E ainda, correlacionando os posts com o comentário do João Lisboa, logo acima, se a quantidade de gordura influi na absorção e nos efeitos do álcool, pessoa obesas não tem cirrose? Ou não ficam bêbadas? A obesidade não seria também um fator determinante no surgimento da cirrose?

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  3. a vacina contra a hepatite B faz parte do calendário oficial de vacinação preconizado pelo Ministério da Saúde e a primeira das três doses é administrada logo após o nascimento. Com poucos efeitos colaterais, ela protege o indivíduo por toda a vida. Como se trata de uma conduta pública relativamente recente, a grande maioria dos adultos de hoje não foi vacinada. Por isso, aqueles que pertencem a grupos de risco, ou seja, os que têm múltiplos parceiros sexuais, os usuários de drogas injetáveis e os profissionais de saúde (médicos, dentistas, pessoal que trabalha em laboratório) devem receber a vacina.
    http://drauziovarella.com.br/sexualidade/hepatite-b-3/

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  4. Os sintomas da doença hepática alcoólica dependem da relação entre a duração do hábito e a quantidade de álcool que é consumida. Os grandes bebedores desenvolvem os primeiros sintomas até aos 30 anos e os problemas graves costumam aparecer até aos 40. Nos homens, o álcool pode produzir efeitos semelhantes aos provocados por uma situação de excesso de estrogénios e pouca testosterona, resultando na diminuição de tamanho dos testículos e aumento do volume das mamas. Nestes indivíduos, os exames de função hepática podem ser normais ou anormais. Contudo, a concentração, no sangue, de uma enzima hepática, o gamaglutamil transpeptidase, pode ser particularmente alta nas pessoas que abusam do álcool. Além disso, os glóbulos vermelhos destas pessoas costumam ser maiores que o normal, o que constitui um sinal de aviso. O número das plaquetas no sangue pode ser baixo.
    http://www.manualmerck.net/?id=143&cn=1153

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  5. O álcool possui uma representação cultural antiga e, na contemporaneidade, insere-se em agravos que repercutem em várias dimensões. Entre estas sobressaem as do contexto social, diante de condutas geradoras de violência e acidentes que posteriormente se refletem na saúde pública e na economia do país.

    No primeiro levantamento domiciliar sobre o uso de drogas no Brasil, realizado em 1999, pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), em conjunto com a Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD), identificaram-se 11,2% de adicção da população, tendo como faixa etária mais representativa em jovens e adultos jovens (18 a 24 anos). Tais dados são superiores aos encontrados em países como Estados Unidos e França1.

    Em 2000, 4% de toda a morbidade e mortalidade ocorrida no mundo foi em decorrência de problemas de saúde relacionados ao consumo de álcool, o que permitiu indicar uma tendência ascendente, uma vez que o valor estimado em 1990 era de 3,5%2.

    Atualmente, o consumo de álcool se configura como o mais grave problema de saúde pública do Brasil, pois se apresenta como o fator determinante de mais de 10% de toda morbidade e mortalidade ocorrida no país2.

    Diante desta realidade, é importante que cada país realize pesquisas e estratégias destinadas a identificar e prevenir, entre outras medidas, os efeitos deletérios referentes ao uso e/ou abuso de bebidas alcoólicas, sobretudo pela expansão dos índices de morbidade e mortalidade.

    Como evidenciado na literatura, o uso contínuo de bebidas alcoólicas representa o principal processo na disfunção e propagação de patologias que evoluem para sérios danos hepáticos como esteatose hepática e cirrose3,4.

    A cirrose hepática alcoólica é tão grave que é considerada a segunda causa indicativa para o transplante hepático, sendo superada apenas pela hepatite C. No entanto, há apenas vinte anos o portador dessa doença foi beneficiado por esse tratamento, aumentando assim a sobrevida5.

    Essa doença constitui um problema mundial e de saúde pública, principalmente nos países em desenvolvimento, pelo elevado custo social. A despeito disso, na prática, observa-se profunda lacuna entre o incitado marketing das propagandas sobre o uso do álcool e a ausência do efetivo cumprimento das leis existentes.
    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-81452007000400018

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  6. O fígado tem a capacidade de destruir o álcool, porque possui enzimas que o transformam em outras substâncias, por exemplo, o acetaldeído. Acontece que, quando o álcool é ingerido em quantidades maiores, começam a aparecer lesões nas células hepáticas. Obviamente, se o indivíduo bebe todos os dias e há muito tempo, a recuperação celular fica mais difícil e o metabolismo do álcool é comprometido.

    É óbvio que uma escapada ocasional não provoca grande estrago. Todavia, se a ingestão for frequente e o volume ingerido maior do que a capacidade do fígado para metabolizar o álcool, as células hepáticas podem ser irremediavelmente destruídas.

    O pior é o uso diário de álcool. Já existe uma estimativa de que um indivíduo pode desenvolver cirrose hepática se beber 80 gramas de álcool por dia, durante aproximadamente 10 anos. A mulher, que é mais sensível, corre o mesmo risco com metade dessa dose.

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  7. A cirrose hepática alcoólica é representada como doença que destrói e leva à morte, sendo o convívio com a mesma permeado de momentos de angústia, estigmas, dificuldades sócio-econômicas e rompimento dos vínculos afetivos, o que gera sofrimentos que muitas vezes desencadeiam depressão e idéias suicidas, pois a condição de portador desta enfermidade reflete uma conduta moral anterior inadequada, o alcoolismo.

    Apesar de tantas dificuldades, espera-se que esse momento não seja solitário, e sim compartilhado pela família, pela rede social e, principalmente, por profissionais de saúde habilitados no acolhimento e cuidado. A estes, sobretudo, cabe compreender a história natural da doença, bem como as complicações e estágios em que o indivíduo se encontra, na busca de motivá-lo não apenas para adesão ao tratamento, mas para retorno à vida, que exige dos mesmos habilidades para trabalhar principalmente a comunicação, e, desse modo, permitir que os indivíduos expressem seus valores, medos e expectativas, pois a prevenção dos danos psicossociais, dentre eles o suicídio, infelizmente não é tarefa fácil.
    Fonte:http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-81452007000400018

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  8. Fim de semana, festa animada e diversão com os amigos formam o clima perfeito para exagerar no consumo de bebida alcoólica. Quem bebe esporadicamente - o famoso "bebedor social" - muitas vezes acredita que beber algumas doses a mais de vez em quando não fará mal. Mas, segundo um estudo realizado pelo Scripp´s Research Institute da Califórnia (EUA), a ingestão de grandes quantidades de álcool de uma só vez afeta o cérebro da mesma forma que o consumo frequente.

    "É muito comum escutar a pessoa dizer que só bebe nos finais de semana, então não tem problema. Mas isso não é verdade, esse comportamento é de risco e representa um perigo real", alerta a psiquiatra Carla Bicca, conselheira da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead).
    http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2013/02/15/beber-so-de-final-de-semana-tambem-traz-riscos-para-a-saude.htm

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